segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ludmila Maffezzolli



Ela vivia, aproveitava sua inocência e bebia aos goles a vida, com simplicidade e singeleza de coração, sem culpas ou medos, vivendo e aprendendo, fazendo amigos, reunindo pessoas e em comunhão com elas. Nada lhe faltava, era cheia de vida, cheia de sorrisos e brilho nos olhos, não precisava se afirmar em nada para validar sua caminhada, era livre como o vento, para ir e vir como lhe fosse à vontade.

Alguns tentaram tomar-lhe a liberdade e levá-la cativa, porém, como cavalo selvagem, ventos de tempestade, cachoeira que desce do alto a baixo, não foi possível apresá-la, nunca se deixou domar.

Então um dia, não se sabe como, tornou-se presa, foi apanhada pela sedução das sutilezas e vãs filosofias do dragão de pedra, rapidamente transformou-se em alguém fria, não bebia mais da fonte da vida que lhe jorrava e passou a procurar poços rotos e cisternas sujas para matar a sede, seu coração singelo tornou-se um lago de amarguras e era como fel, não tinha mais paz, e passou a viver de cobranças e acusações contra si e contra outros, não reunia-se às pessoas e com elas não se encontrava mais em comunhão, pois passou a pensar-se diferente delas.
Deixou de ter tudo, e pôs-se buscar nada, perdeu o brilho nos olhos e passou a contentar-se com o fosco convencimento de ter luz própria, necessitando afirmar-se no que não é, entrou em um turbilhão de tormentos e inquietações sem fim, saindo do descanso entrou em trabalhos intermináveis e inúteis. Deixou-se levar existencialmente a não mais ir sendo.
Encontrando-a, pasmei ao ver-lhe, logo eu que um dia fui ensinado por ela a viver e ser livre e indomável como o vento, meu coração chora e angústia-se, pois, sua falta de paz e infelicidade me traz sentimentos de revolta e um grande desejo de libertá-la daquela prisão. Eu enfrentaria desafios, correria riscos para tirá-la das garras do dragão de pedra e mostrar-lhe a vida novamente, mas, terrível coisa para mim foi perceber, que sua prisão não é como as masmorras ou as torres em que as princesas e os rebeldes transgressores eram encarcerados, sua prisão meu Deus... É a pior de todas que já puderam desenvolver, é existencial, é na alma, sou tomado de terror quando olho e vejo que não possui muros. O medo não a permite sair de lá, eu, todavia sei que não posso tirá-la de seu confinamento, mas permaneço por perto, velando-a, dando-lhe pão fresco e o pouco de água limpa que consegue beber, na esperança que, amando-a possa salva-la, pois sei que somente o amor lança fora todo o medo e traz de volta a vida os atormentados e cativos na alma, presos as garras frias do dragão de pedra.
O lamento silencioso de sua alma traduz-se para mim como um sussurro que diz; traga-me para a vida ...

domingo, 4 de setembro de 2011

Desiludida - de Vicente de Carvalho


Sou como a corça ferida
Que vai, sedenta e arquejante,
Gastando uns restos de vida
Em busca da água distante.
Bem sei que já me não ama,
E sigo, amorosa e aflita,
Essa voz que não me chama,
Esse olhar que não me fita.
Bem reconheço a loucura
Deste amor abandonado
Que se abre em flor, e procura
Viver de um sonho acabado;
E é como a corça ferida
Que vai, sedenta e arquejante,
Gastando uns restos de vida
Em busca da água distante.
Só, perdida no deserto,
Segue empós do seu carinho:
Vai se arrastando… e vai certa
Que morre pelo caminho.

sábado, 3 de setembro de 2011

Anjo Bandido - Minha autoria

Hoje vivo nessa prisão sem muros
Penso em ti ao me deitar
Sonho com seus sussurros
No meu ouvido a falar
Palavras de carinho
Que me fazem delirar
Ao seu lado e não mais sozinha
Para sempre quero ficar.
Se não sei o sabor de seus lábios
Se não sei o gosto do seu beijo
Tenho a certeza de que um dia
Irei-te-lo só para mim

Nesta ou em outra vida
Você é como um raio de sol
Que brilha sem parar
Você é como o céu azul
Que reflete na imensidão do mar
Você é minha vida
Só você me faz sonhar
Você é minha paixão
Sou louca para te amar
Se formos feitos um para outro
O destino vai revelar

Não existe céu sem estrelas
Nem ondas sem mar
Oh, Minha vida.
Oh, minha paixão.
Oh, anjo bandido.
Que roubou meu coração
Longos são os dias
Triste sem ti ver
Vazias são as noites
Que eu durmo sem você